Enfim, publicado meu discurso de paraninfo na formatura da turma TADS 2014! Valeu, alunos, pela homenagem e valeu, IFSP, pela oportunidade!

Perdoem o choro da minha filhinha no começo do vídeo! Para não perder nada, segue abaixo a transcrição do discurso:

Boa noite, pessoal! Com muita honra, estamos aqui novamente, comemorando a formatura de vocês. Discursos como este têm o desafio de sintetizar em alguns minutos o que a gente vivenciou ao longo de vários anos, tempo em que acontece muita coisa, muitas mudanças, muitas construções.

A gente vivenciou aqui muito mais do que aulas, disciplinas e conteúdos. A gente passou um tempo de convivência juntos. A gente evoluiu juntos, no dia-a-dia de troca de experiências, conhecimentos e filosofias. A gente criou um vínculo forte, que vai durar por toda a vida.

Nós, da escola, que acompanhamos o trabalho de vocês percebemos o quanto cada um se dedicou, o quanto perseverou, caiu, se levantou, deparou com muros, contornou os muros, desfez os muros e seguiu adiante. Pessoas que eram muito tímidas passaram a se manifestar mais, pessoas que eram muito dispersas passaram a se concentrar mais… É muito legal isso. É muito gratificante perceber a evolução de cada um. Faz a gente se sentir participando da história de vida de vocês, de alguma maneira.

Tem uma coisa que eu sempre quis falar para vocês em sala de aula, mas que eu acabei não falando. Então eu vou aproveitar esta oportunidade para dizer aqui. Hoje, nós estamos aqui. Hoje, nós somos professores de vocês e vocês são nossos alunos. Mas quem sabe o dia de amanhã? Amanhã, pode ser que a gente venha a ser colegas de trabalho, quem sabe… (né, Bruno?) E quem sabe alguém aqui um dia não vai ser professor de um de nós? Amanhã, quem sabe alguém aqui não vai ministrar um curso que algum de nós, professores do IFSP, vá lá fazer? Quem sabe alguém aqui não vai seguir carreira acadêmica, e vai se tornar doutor antes de alguns de nós e depois vai ser orientador da gente?

Às vezes, o professor pode parecer aquele ser meio inatingível, meio de outro planeta. Mas, na verdade, por mais que vocês já saibam, vale reforçar: o professor é só um ser humano. Que, assim como o aluno, também tem seus muros, suas aflições, seus medos… Também chora, também sofre, também passa momentos de não ver sentido no seu trabalho, na sua vida… Na sociedade muito masculinizada em que a gente vive, as pessoas são muito cobradas, às vezes por elas mesmas, para produzirem, para serem fortes, para aguentarem tudo sozinhas. Mas a verdade, que todo mundo acaba descobrindo, mais cedo ou mais tarde, é que a gente não aguenta tudo sozinho. Vira e mexe, a gente precisa de apoio emocional, seja da família, dos amigos, dos colegas, de profissionais de saúde… Se você já passou por isso na sua vida, ou se você vier a passar no futuro, entenda que isso é apenas um sinal de que você é um ser humano. E, se você tiver a oportunidade de dar uma força para a pessoa próxima de você, às vezes só ouvindo, às vezes aconselhando, às vezes fazendo algo mais concreto, faça isso! Vai fazer um bem muito grande para você e para a pessoa próxima de você.

Vocês que estão saindo daqui hoje… Provavelmente alguns ainda não estão empregados, outros já estão empregados, outros estão estagiando… A escola, e também a sociedade, com certeza passou uma visão de futuro para vocês: o que vocês iriam fazer quando saíssem daqui? Provavelmente, a visão que a gente mais passou foi a de que vocês seriam desenvolvedores de software. Trabalhariam com Java, C#, web… Eu digo para cada um de vocês: se você sentir esse caminho como sendo bom para você, ótimo! Siga-o! Mas, se não, fique muito tranquilo de dizer para você mesmo: eu quero outro caminho. Existem inúmeros caminhos, infinitos caminhos. Na vida, existem infinitos caminhos, e, mesmo dentro da Informática, também existem inúmeros caminhos. Só para citar alguns, vocês podem trabalhar com redes, bancos de dados, segurança, administração de sistemas, usabilidade, experiência de usuário, web design, biotecnologia, robótica, jogos, gestão, governo eletrônico… Podem trabalhar com treinamentos, podem ser professores, podem abrir seus próprios negócios… O caminho padrão apresentado pode te servir, e pode não te servir. Então, questione-o, sempre! E também pode ser que um caminho te sirva por um tempo e depois não te sirva mais. Eu mesmo só estou aqui hoje falando com vocês graças a ter feito muitas mudanças na minha carreira, senão eu ainda estaria na mesma empresa em que comecei a fazer estágio dez anos atrás.

Muitos de nós querem mudar o mundo, e eu sempre fui um deles. Eu sempre tive esse desejo idealista de mudar o mundo. Mas, nos últimos anos, tentando praticar isso, eu comecei a esbarrar em alguns muros aí, e ter sérios problemas por causa disso. E aí eu me perguntei: será que eu quero mesmo mudar o mundo, se eu não estou conseguindo nem fazer minha lição de casa?

Um filósofo chamado Eduardo Marinho, que eu admiro muito, diz que as pessoas que querem mudar o mundo invariavelmente desistem. Porque elas querem mudar o mundo para si mesmas. Elas querem ver a mudança durante a sua vida. Elas querem ver o mundo ficar justo enquanto elas estiverem por aqui. Mas isso não vai acontecer, porque esse tipo de transformação leva gerações e gerações. Então, a gente não deve querer mudar o mundo. A gente pode participar da mudança. Isso, sim, é interessante! Cada momento em que a gente faz o bem é um momento positivo de participação na melhoria do mundo. É aquele “bom dia” que você dá para alguém na rua, é aquela conversa com aquela pessoa que estava precisando, é aquela ajuda que você dá para o colega na tarefa dele, é aquele momento em que você é honesto com o seu chefe… Nessas atitudes, você está participando da mudança do mundo.

Se vocês falarem com dez pessoas diferentes, é capaz de vocês ouvirem vinte receitas de como ser feliz e de como ser bem-sucedido na vida. Eu vou deixar uma aqui para vocês, que é a única que para mim consegue ser quase universal: equilíbrio. Pratique o equilíbrio na sua vida. Se você é muito da mente, exercite o seu corpo, também. Se você é muito do corpo, exercite mais a sua mente. Se você é muito da tecnologia, procure conhecer mais da natureza. Se você é muito emotivo, procure exercitar mais a razão. Se você é muito urbano, conheça mais da vida no campo. Se você pensa demais, tome mais atitudes. Se você é muito impulsivo, reflita mais antes de agir.

Termino aqui parabenizando os formandos pela conquista, agradecendo a todos os presentes pela atenção, aos colegas pela amizade, a todos os que trabalharam para essa escola acontecer, tanto os mais como os menos reconhecidos.

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