Tem muita discussão sobre a geração atual das pessoas por volta dos 18 anos. Embora tenha hoje 31, portanto pertença a uma geração mais velha, sinto que eu me encaixo um pouco nessa de ficar buscando fazer sempre o que gosta, não ter muita tolerância para emprego chato etc.

Eu cresci num mundo tecnológico, tive contato com isso um pouco antes da maioria das pessoas. Talvez por isso mesmo eu tenha enjoado um pouco antes da maioria das pessoas, e por isso hoje eu não tenha muita vontade de ter WhatsApp, Facebook etc.

Uma vez vi uma pessoa próxima que tem uns 60 anos maravilhada mandando um vídeo ou foto pelo WhatsApp. Achei interessante a reação dela. Refleti um pouco e lembrei que eu fiz isso pela primeira vez em 1999, no ICQ, e, na época, eu fiquei maravilhado, também.

Muita gente compartilha vídeos pelo YouTube, por exemplo de jogos, e acha isso fenomenal. Outro dia eu lembrei que, em 90 e qualquer coisa, eu gravava fitas VHS dos jogos que eu alugava na locadora para levar no dia seguinte para um amigo meu ver e a gente ficar discutindo.

Provavelmente seja por isso que eu não me surpreenda tanto com os avanços tecnológicos. Já tive minha fase e meio que passou, principalmente porque eu andei percebendo outros problemas do mundo bem mais sérios e vendo que eles não estão nada resolvidos: questões políticas, sociais, ambientais, psicológicas… São questões muito mais antigas e complicadas do que as tecnológicas.

Sinto que a história vive se repetindo, e que as discussões, no fundo, são sempre as mesmas. O tempo passa e o ser humano sempre volta às mesmas questões fundamentais. Um grupo fica tentando mostrar que o caminho certo é X, o outro fala que é Y, o grupo A discute com o grupo B, ambos querem ter razão, ninguém cede, até que a coisa vai ficando feia e um começa a falar mal do outro pelas costas ou eles se enfrentam de maneira violenta, guerras surgem etc.

Acho que o mundo não precisa ser mais rígido ou menos rígido, as gerações não precisam ser mais de esquerda ou mais de direita, mais independentes ou não, mais exigentes ou não. Cada um é como é, cada época tem suas características e a gente se ilude achando que tem muito controle sobre isso. Cada um tem controle sobre si mesmo, e olhe lá. A gente pode educar os filhos de uma ou de outra maneira, e olhe lá.

O que é melhor para o mundo? Ninguém sabe direito. Cada um tem sua verdade. Sempre tenho chegado à mesma conclusão: cada um tem a sua verdade, que construiu com o que viu acontecer em sua própria vida. A verdade de cada um serve para si e para algumas outras pessoas. Consenso é muito difícil de alcançar.

E as gerações novas vivem repetindo os erros das anteriores… Os filhos querem se rebelar, querem fazer tudo diferente do que os pais fizeram, mas no fim só dão nomes diferentes para as mesmas coisas, negam o conhecimento vindo pronto dos pais e vão atrás de tirarem suas próprias conclusões. Acham que estão seguindo caminhos totalmente diferentes, e, no fim, dá quase na mesma, e vão concluir as mesmas coisas que os pais já sabiam.

Antes eu achava que esse processo era meio tosco, ineficiente. Mas atualmente tenho achado que simplesmente é assim que funciona. Muitas coisas a gente só aprende dando a cara a tapa e se ferrando. Mesmo que alguém já tenha se ferrado antes, às vezes a gente prefere passar por aquilo de novo, a gente quer ter nossa própria experiência para aprender com ela. Talvez viver a própria vida seja exatamente isso.

É claro que há o conhecimento acumulado pela humanidade e há avanços, sim. Antigamente, mostravam imagens na TV de trator destruindo floresta e chamando aquilo de progresso; deficientes físicos e mentais eram trancados em casa e escondidos da sociedade. Hoje, é diferente. Muita coisa melhora, sim. Às vezes, mais devagar do que a gente gostaria.

2 comentários sobre “Gerações

  1. Muito legal! Bela reflexão, a vida é um ciclo que acrescenta coisas novas e remove algumas outras a cada rodada, o importante é orientar os mais novos da maneira que podemos, eles irão julgar da forma que quiserem, se comportar conforme a realidade e futuro que os espera. Um abs.

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  2. Bacana André… não sabia que você escrevia…
    Eu quase não entro no linkedin.

    Sua reflexão é bacana… “Vidas Secas”. Talvez a gente não saiba como usar/aprender/ter/evoluir (não sei qual palavra certa) mais nossa “sabedoria”. Acredito que falte nas pessoas é conseguirem assimilar algumas lógicas/fatos e aplicar em outros contextos…mas é só uma hipótese, pois pra mim não ter essa capacidade é fruto do super protecionismo dos pais que não deixaram e ainda não deixam e nem incentivam os filhos a desenvolver o comportamento de tentar resolver pequenas coisas e sempre entregam a solução pronta.

    Curtido por 1 pessoa

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